Mitos sobre o bronzeamento com DHA e os aceleradores de bronzeamento.
O que é a di-hidroxiacetona, como atua sobre a pele, em que se diferenciam os autobronzeadores dos aceleradores de bronzeamento e que hábitos ajudam a que o resultado seja mais uniforme e duradouro. Sem promessas exageradas, com a informação de que precisa para escolher bem.
Aviso de tradução: esta é uma tradução em português do nosso artigo espanhol, disponibilizada para conveniência dos leitores internacionais. A versão espanhola prevalecerá em caso de qualquer discrepância. As advertências de segurança UV baseiam-se na regulamentação espanhola (RD 1002/2022) mas refletem recomendações dermatológicas universais.
Com a subida das temperaturas regressa o interesse pelo bronzeamento. Uma das formas mais rápidas de obter um tom dourado é utilizar autobronzeadores, loções que contêm ingredientes específicos para gerar cor sem exposição solar. O principal ativo na maioria destes produtos é a di-hidroxiacetona (DHA), geralmente apresentada na rotulagem cosmética como derivada da cana-de-açúcar. Em paralelo existem os aceleradores de bronzeamento, uma categoria distinta concebida para potenciar o bronzeamento natural em cabine UVA ou ao ar livre. Vamos esclarecer as diferenças e desfazer algumas confusões habituais.
Como atua realmente a DHA na pele.
Para perceber por que alguns mitos não se sustentam, convém ter claro o que faz exatamente a DHA quando é aplicada. A DHA é uma molécula que reage quimicamente com os aminoácidos presentes nas proteínas de queratina do estrato córneo, ou seja, a camada mais superficial da pele, formada por células já mortas. Essa reação — semelhante à reação de Maillard que dá cor aos alimentos ao cozinhar — gera pigmentos escuros chamados melanoidinas, responsáveis pelo tom bronzeado característico.
O importante deste mecanismo: a cor não provém da melanina do corpo, mas sim de uma reação química local à superfície da pele. Por isso o efeito desaparece à medida que as células do estrato córneo se renovam de forma natural, normalmente entre 5 e 10 dias.
Dois mitos frequentes sobre a DHA.
"Os autobronzeadores tingem a pele como uma tinta"
A DHA não se comporta como um corante nem como uma camada de tinta depositada sobre a pele. O que produz a cor é uma reação química com os aminoácidos da queratina do estrato córneo: por oxidação formam-se melanoidinas, pigmentos escuros que ficam nessas células superficiais.
Algumas loções, sobretudo de aplicação profissional, incorporam de facto um pigmento de orientação (uma "tinta") que ajuda o técnico a ver onde aplicou o produto durante a sessão. Esse pigmento auxiliar é solúvel em água e desaparece com o primeiro duche, enquanto a cor real gerada pela DHA se mantém durante vários dias.
"Pode escolher o tom exato do bronzeado"
Embora muitas marcas falem de "tons" (claro, médio, escuro), o tom final depende sobretudo do fototipo de cada pessoa. O que de facto varia entre produtos é a concentração de DHA: quanto maior a percentagem, mais intensa será a cor resultante, mas sempre limitada pelo tipo de pele do utilizador.
Por isso um mesmo produto pode deixar um acabamento diferente em duas pessoas. A escolha do produto e da concentração é importante, mas a pele determina o resultado final mais do que o rótulo do frasco.
Quatro pontos para uma aplicação uniforme.
A utilização de um autobronzeador não é complicada, mas o resultado depende muito da técnica. Estas são as orientações básicas:
Fazer uma esfoliação prévia, especialmente nos cotovelos, joelhos, calcanhares e nós dos dedos, ajuda a evitar manchas escuras em zonas com pele mais seca ou espessa.
Se a aplicação não for homogénea, o bronzeado também não o será. Convém trabalhar por zonas e verificar bem as bordas.
Existem luvas concebidas para distribuir o produto de forma uniforme e evitar que as palmas das mãos fiquem castanhas.
A cor começa a aparecer entre 3 e 4 horas depois de aplicar a loção e atinge a intensidade máxima no dia seguinte. É recomendável não tomar duche durante essas primeiras horas para que a reação se complete.
Aceleradores de bronzeamento: o que são e o que não são.
Convém não confundir os autobronzeadores com os aceleradores de bronzeamento. Os primeiros geram cor sem sol; os segundos estão pensados para potenciar o bronzeamento natural quando a pele se expõe à luz UVA, seja em cabine ou ao ar livre. Dentro dos aceleradores existem duas grandes famílias:
Intensificadores
A sua função principal é fornecer à pele os nutrientes e a hidratação que favorecem um bom acabamento do bronzeamento natural. Não adicionam pigmentos artificiais: atuam unicamente sobre as condições da pele para que o bronzeamento gerado pela própria melanina pareça mais uniforme e se mantenha melhor.
Bronzeadores
Além de hidratarem, incorporam ingredientes que aceleram e prolongam o bronzeamento, normalmente DHA, eritrulose ou componentes de origem vegetal como casca de noz negra, óleo de cenoura ou caramelo. Combinam o efeito sobre a melanina natural com um contributo de cor por reação química ou pigmentação natural.
Estes produtos podem usar-se tanto em sessões de cabine UVA como ao ar livre. Um ponto importante: os aceleradores não contêm filtro solar, pelo que quando se usam ao sol é necessário combiná-los com um protetor solar adequado ao fototipo e ao tempo de exposição. A ordem de aplicação entre protetor e acelerador não condiciona o resultado do bronzeamento.
Hidratação: o fator mais descurado.
Um detalhe que muitas vezes passa despercebido: a pele seca reflete a luz de forma irregular, o que se traduz num bronzeamento menos uniforme. Manter a pele bem hidratada antes, durante e depois da exposição ajuda a que a cor pareça mais homogénea e a que se mantenha durante mais tempo.
O mesmo se aplica aos autobronzeadores: uma pele hidratada e previamente esfoliada absorve o produto de forma mais regular, o que reduz o risco de manchas e melhora o acabamento.
Advertência obrigatória sobre aparelhos de bronzeamento UV. Os raios dos aparelhos de bronzeamento UV podem afetar a pele e os olhos. Estes efeitos dependem da natureza e da intensidade dos raios, bem como da sensibilidade da pele de cada pessoa.
Sobre o fototipo 1. As pessoas com fototipo 1 — que combina cabelo ruivo ou loiro muito claro com sardas ou ausência de pigmentação, pele branca que nunca se bronzeou e olhos azuis — não devem utilizar aparelhos de bronzeamento nem expor-se ao sol natural, dado o alto risco de danos cutâneos.
Nota sobre o conteúdo. Este artigo tem caráter informativo e divulgativo. Não constitui aconselhamento médico nem dermatológico. Para questões de saúde cutânea, fototipo, alergias a componentes cosméticos ou protocolos profissionais em cabine, convém consultar um profissional de saúde ou dermatologista. A proteção solar e o uso responsável de aparelhos de bronzeamento são responsabilidade do utilizador e do centro profissional.
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